segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Dimensões que a mente nem sabe

A lua não sabe quem somos. Ela sequer imagina que naquele planeta azul há entes chamados humanos, muito menos que parte deles se inspiram pelo simples fato de enxergá-la. Sob o reflexo de sua beleza escrevem poesias, compõe músicas, se apaixonam.
O sol jamais terá ideia do quanto precisamos dele. O calor gerado pela estrela de quinta grandeza não é calculado, tributado ou gerido por ninguém. Ele está lá, bola incandescente, indiferente, imprescindível para seres completamente dependentes de sua existência.
O mar, universo dos peixes, das plantas marinhas, de seres que não podemos contabilizar, não tem consciência. Se tivesse é provável que se espantaria com a própria grandeza, a importância que tem, não só para as vidas que vivem nele, mas também para os que estão fora, para nós, gente que os mares nem sabem que são.
Aliás, somos seres completamente desconhecidos, irrelevantes para a existência de mundos, planetas, universos, dimensões que nenhum de nós é capaz de conceber, ainda que especulemos, ainda que avancemos em tecnologia e desenvolvamos cálculos incríveis, mesmo enquanto subimos nossas naves até onde o homem nunca foi e aprovamos financiamentos de pesquisas inéditas, extensas, complexas, ainda assim, jamais seremos capazes de transcender os limites de nossa própria insignificância.
Permaneceremos irrelevantes para a lua que continuará nos ignorando, o sol não saberá de nós, os mares poderão nos engolir a qualquer momento sem a mínima consciência disso, o universo que abriga a terra que “boia” no espaço será para sempre um mistério distante, ausente, indiferente até que finalmente nos vinculemos a ele.

Nesse dia olharemos para dentro e reconheceremos a lua. Ela nascerá em nós. Em nossa interioridade brilhará o sol, iluminando caminhos tortuosos, fazendo-se conhecer em intensidade e vida, clareando o que parecia ser apenas escuridão. Seremos saciados pela águas dos mares, pelos peixes amigos, pela imensidão oceânica, abrangente, que nos vinculará a tudo que vive, a tudo que é.
Não haverá necessidade de naves. Não olharemos mais para o céu a espera de anjos, santos, espíritos ou ETs. Não haverá mais nenhum tipo de angústia, a espera de um “contato”, de uma informação, de uma dica que seja, porque as respostas, todas elas, serão encontradas aonde sempre estiverem, no universo que somos nós.
Transcenderemos nossa insignificância porque não há como mensurar a extensão de um ser que deixou de ser um homem ou uma mulher e virou abrigo da lua, casa do sol, habitação de oceanos, irmão de planetas, do tamanho do universo, ente de dimensões que a mente nem sabe, mas existe aqui dentro.
E então, nascerá uma eterna amizade que nos vinculará a absolutos incognoscíveis porém tão claros, tão presentes, tão reais na vida de quem expandiu seus limites e reconheceu o universo que lhe habita.
Nesse dia a lua nos verá e saberá quem somos, o sol, nosso amigo, nos chamará pelo nome, os mares terão prazer em nossa presença e não haverá mais diferença, nem códigos, nem limites, nem mistérios, tudo simples, tudo em mim, todos uma coisa só.

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