sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

POR ONDE COMEÇAR?


Um dos maiores enganos alimentados por nosso sistema, é nos fazer crer que há vida própria nas instituições, que elas independem da consciência humana.

Veja por exemplo a potestade política com seus vícios e arbítrios. Não há bem intencionado que tenha alguma chance de sobressair-se a cultura centenária (no caso do nosso país) da vantagem, do engano, de colocar-se acima do que deveria ser público e para o bem de todos. Pagamos impostos sobre consumo, renda, sobre tudo, enquanto o presidente do senado viaja com avião da FAB para fazer implante capilar, para citar apenas um exemplo atual e notório.

O que eu poderia fazer sozinho? - Lamenta resignado o cidadão médio, sem pensar que somos maioria, sozinhos estão eles, homenzinhos, escondidos nas "instituições" e seus palácios, seus muros de burocracias e leis em forma de labirinto, criando abismos, como se fossem seres superiores e inatingíveis. Não são. São pequenos homens e mulheres que se beneficiam de nossa incapacidade em reconhecer que instituições são ilusões, afinal, nenhum castelo, nenhum exército, nenhuma potência existiria se não fossem feitos de gente.

Seja os sistemas políticos, os templos religiosos, pretensiosos, colocando-se como mediadores entre os homens e Deus, arbitrando céu ou inferno, punindo, julgando, determinando o que definitivamente não lhes cabe, sobrecarregando massas culpadas, sedentas e dispostas a pagar (seja em moeda ou devoção) por um pedacinho de alívio, placebo que dure até o próximo sacrifício, sentindo-se menores diante dos paramentos, das construções, dos rituais de diferenciação, de diminuição.

Como o trabalhador submisso, cansado, explorado, correndo atrás da ilusão, do que lhe fará sentir-se maior, melhor, compensado pelo desgaste na família, no tempo de estudo, nas privações em nome do sucesso financeiro. Escravos, regrados, parte de uma máquina trituradora de criatividade, de vínculos, de amor, encobrindo com as fumaças que saem das chaminés do progresso qualquer pequeno vislumbre do que realmente importa.

Quem enxerga se angustia. Quem questiona não sabe por onde começar, tampouco o que fazer diante de estruturas tão velhas, tão enraizadas, viciadas, más. Até que entendamos que os impérios, as estruturas, as potestades, não existiriam se não fossem as pessoas. Elas refletem o que somos e legitimam nossa maldade. Nós somos os monstros, vítimas e algozes de um único jogo, alternando as dinâmicas da morte conforme as oportunidades, agindo ou reagindo de acordo com a porção que nos cabe naquele sistema. 

Os amargurados pela injustiça de hoje, serão os promotores da injustiça de amanhã, os engajados combatentes de hoje, serão os que logo depois dominarão, cadeia que se retroalimenta a não ser que finalmente entendamos: só podemos mudar as instituições, só diminuiremos as injustiças, a vida só melhorará quando nossa energia não estiver canalizada no sistema, mas nas pessoas. 

Mude as pessoas e os sistemas ruirão. Promova consciência, e as instituições deixarão de ter vida própria, serão apenas ferramentas de serviço. Mude a si mesmo e seu mundo mudará, irradiará positivamente nos mundos que lhe cercam, abrirá seus olhos diante do que realmente precisa ser feito. Quando nossa luta é contra as instituições, ela se torna infrutífera, terminará em amargura, na sensação de que nada podemos fazer.

Não caia nesse engano. Mude a si mesmo, comece por você. Seja o bem que espera ver na Terra, seja o amor que cobra do próximo, seja a justiça que espera dos governantes, seja a consciência que gostaria que existisse nos sistemas. Seja você o agente de contaminação, aquele que subverte a lógica vigente pelo exemplo e siga nessa direção. Quem anda por consciência reconhece as intensidades, identifica o caminho e sabe o que fazer.

Um dos maiores enganos alimentados por nosso sistema, é nos fazer crer que há vida própria nas instituições, que elas independem da consciência humana, mas, acredite, quando mudamos as pessoas, o universo inteiro se reorganiza e reflete a luz que brilha em cada homem, em cada mulher.

Por: Flavio Siqueira 


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