sexta-feira, 8 de março de 2013

Uma Dança Chamada Amor



"Eu nunca disse que o amor é destruído pelo casamento. Como pode o casamento destruir o amor? Sim, ele é destruído no casamento, mas é destruído por você, não pelo casamento. Ele é destruído pelos parceiros. Como pode o casamento destruir o amor? É você que o destrói porque você não sabe o que é o amor. Você simplesmente finge que sabe, você simplesmente tem esperança de conhecê-lo, você sonha que o conhece, mas você não sabe o que é o amor. O amor deve ser aprendido, ele é a maior arte que existe.
      Se as pessoas estão dançando e alguém o convida para vir e dançar, você diz, 'eu não sei.' Você não salta simplesmente e começa a dançar, achando que todo mundo vai pensar que você é um grande dançarino. Você só provará que é um bufão. Você não provará que é um grande dançarino. A dança precisa ser aprendida - a sua graça, os seus movimentos. Você precisa treinar o corpo para a dança.
       Você não vai pintar só porque a tela, o pincel e a tinta estão ali disponíveis. Você não começa a pintar. Você poderá dizer, 'Tudo o que é preciso está aqui, então eu posso pintar.' Você pode pintar, mas nunca será um pintor dessa maneira. 
      Você encontra uma mulher – a tela está ali. Você imediatamente se torna um amante – você começa a pintar. E ela começa a pintar em você. Naturalmente ambos provam serem tolos – tolos pintados – e mais cedo ou mais tarde vocês compreenderão o que está acontecendo. Mas você nunca pensa que o amor é uma arte. Você não nasce com a arte, ela nada tem a ver com seu nascimento. Você tem que aprendê-la. O amor é a arte mais sutil.
      Você nasce apenas com a capacidade. Naturalmente você nasce com um corpo; você pode ser um dançarino porque você tem um corpo. Você pode mover o seu corpo e pode ser um dançarino – mas a dança tem que ser aprendida. Muitos esforços são necessários para se aprender a dançar. E dançar não é tão difícil porque na dança você está envolvido sozinho.
      O amor é muito mais difícil. É dançar com um outro alguém. O outro também precisa saber o que é dançar. Ajustar-se com alguém é uma grande arte. Criar uma harmonia entre duas pessoas... duas pessoas significam dois mundos diferentes. Quando dois mundos se aproximam, é provável que aconteçam choques caso você não saiba como harmonizar. Amor é harmonia. E a felicidade, a saúde, a harmonia, tudo acontece a partir do amor. Aprenda a amar. Não se apresse em se casar, aprenda a amar. Primeiro torne-se um grande amante. 
      E qual é o requisito? O requisito é que um grande amante está sempre pronto para dar amor e não se incomoda se ele retorna ou não. Ele sempre retorna, isso é da própria natureza das coisas. É exatamente como se você fosse às montanhas e cantasse uma canção, e o vale respondesse. Você já viu um eco nas montanhas, nas colinas? Você grita e o vale grita, ou você canta e o vale canta. Cada coração é um vale. Se você derramar amor nele, ele responderá.
      A primeira lição do amor é não pedir amor, mas simplesmente dá-lo. Torne-se um doador. E as pessoas estão fazendo exatamente o contrário. Mesmo quando elas dão, elas dão somente com a ideia de que o amor deve vir de volta. É uma barganha. Elas não compartilham livremente. Elas compartilham com uma condição. Elas seguem observando pelo canto dos olhos se ele está vindo de volta ou não. Pessoas muito pobres... elas não conhecem o funcionamento natural do amor. Você simplesmente derrama, ele retornará. 
      E se ele não estiver retornando, não há nada com que se preocupar – porque o amante sabe que amar é ser feliz. Se ele retorna, é bom, então a felicidade se multiplica. Mas mesmo se ele nunca retornar, no próprio ato de amar você se torna tão feliz, tão extático... quem irá se preocupar se ele retorna ou não?
      O amor tem sua própria felicidade intrínseca. Ela acontece quando você ama. Não há necessidade de esperar pelo resultado. Simplesmente comece a amar. Pouco a pouco você verá muito amor retornando para você. A pessoa ama e passa a saber o que é o amor apenas por amar. Assim como a pessoa aprende a nadar nadando, a pessoa aprende a amar amando.

      E as pessoas são muito mesquinhas. Elas estão esperando que um grande amado apareça, então elas amarão. Elas se mantêm fechadas, afastadas. Elas simplesmente esperam. De algum lugar, alguma Cleópatra virá e então eles abrirão seus corações, mas com o passar do tempo eles esqueceram completamente como abri-los.
      Não perca qualquer oportunidade de amor. Mesmo passando por uma rua, você pode estar amando. Mesmo com um pedinte você pode ser amoroso. Não há necessidade de você lhe dar alguma coisa; você pode pelo menos sorrir. Isso não custa nada – mas o seu próprio sorriso abre seu coração, faz o seu coração mais vivo. Segure a mão de alguém – um amigo ou um estranho. Não espere que você só amará quando a pessoa certa aparecer. Então, a pessoa certa nunca aparecerá. Continue amando. Quanto mais você amar, mais será a possibilidade da pessoa certa aparecer, porque o seu coração começará a florescer. E um coração em flor atrai muitas abelhas, muitos amantes. 
      Você foi treinado de uma maneira muito errada. Primeiro, todo mundo vive sob uma impressão errada de que já é um amante. Só por ter nascido, você pensa que é um amante. Isso não é tão fácil. Sim, existe uma potencialidade, mas a potencialidade tem que ser treinada, disciplinada. Uma semente existe, mas ela tem que se tornar uma flor. 
      Você pode continuar carregando sua semente; nenhuma abelha estará vindo. Você já viu abelhas vindo até as sementes? Elas não sabem que as sementes podem se tornar flores? Mas elas vêm somente quando as sementes se tornam flores. Torne-se uma flor, não permaneça uma semente. 
      Duas pessoas, separadamente infelizes, criam mais infelicidades um para o outro quando ficam juntas. Isso é matemático. Você era infeliz, sua esposa era infeliz e vocês estão esperando que estando juntos se tornarão felizes? Essa é a aritmética mais simples – como dois e dois são quatro. É simples assim. Não se trata de uma alta matemática; isso é muito comum, você pode contar nos dedos. Vocês ambos se tornarão infelizes. 
      Cortejar é uma coisa. Não dependa do cortejar. Na verdade, antes de se casar, livre-se do cortejar. Minha sugestão é que o casamento deve acontecer depois da lua-de-mel, nunca antes. Somente se tudo correr bem, somente então o casamento deve acontecer. 
      Lua-de-mel depois do casamento é muito perigosa. Pelo que eu sei, noventa e nove por cento dos casamentos se acabam quando acaba a lua-de-mel. Mas aí você já foi pego, você não tem como escapar. Então, toda a sociedade, a lei, os tribunais – todo mundo estará contra você se você deixar a esposa, ou se a esposa deixar você. Então, toda a moralidade, a religião, o sacerdote, todo mundo estará contra você. Na verdade a sociedade deveria criar todas as barreiras possíveis ao casamento e nenhuma barreira ao divórcio. A sociedade não deveria permitir que as pessoas se casassem tão facilmente. O tribunal deveria criar barreiras – viva com a mulher por dois anos pelo menos, depois o tribunal poderia permitir que você se casasse. Atualmente eles estão fazendo exatamente o oposto. Se você quiser casar-se, ninguém pergunta se você está pronto ou se é apenas um capricho, só porque você gostou do nariz da mulher. Quanta tolice! Ninguém consegue viver junto só por causa de um nariz alongado. Depois de dois dias o nariz será esquecido. Quem olha para o nariz da própria esposa?
      A esposa nunca parece bonita, o marido nunca parece bonito. Uma vez que você se familiarizou, a beleza desaparece.
      Devia-se permitir que duas pessoas vivessem juntas o tempo suficiente para que se tornassem familiarizadas, uma com a outra. E mesmo que elas quisessem se casar, não deveria ser permitido. Então os divórcios desapareceriam do mundo. Os divórcios existem porque os casamentos estão errados e forçados. Os divórcios existem porque os casamentos são feitos num clima romântico.
      Um clima romântico é bom se você for um poeta – e poetas não são tidos como bons maridos ou boas esposas. Na verdade, os poetas são quase sempre solteiros. Eles se fazem de bobos mas nunca são pegos, e então o romance deles permanece vivo. Eles continuam escrevendo poesias, belas poesias. 
      Não se deveria casar com um homem ou com uma mulher num clima de poesia. Deixe que o clima da prosa venha e então se estabeleça. Porque a vida do dia-a-dia é mais como uma prosa do que como uma poesia. A pessoa deveria se tornar suficientemente madura.
      Maturidade significa que a pessoa não é mais um tolo romântico. Ela compreende a vida. Compreende a responsabilidade da vida, compreende os problemas de estar junto com um outro alguém. Ela aceita todas as dificuldades e ainda assim decide viver com a outra pessoa. Ela não está esperando que exista apenas um caminho para o céu e que tudo sejam rosas. A pessoa não está esperando por tolices; ela sabe que a realidade é difícil. Ela é áspera. Existem rosas, mas entre elas existem muitos espinhos. 
      Quando você se tornou alerta quanto a todos esses problemas e ainda assim você decide que vale a pena se arriscar e estar com uma pessoa, mais do que estar só, então vá e case-se. Então o casamento nunca matará o amor, porque este amor é realístico. O casamento só consegue matar o amor romântico. E amor romântico é o que as pessoas chamam de ‘amor a um filhote de cãozinho’. Não se deve depender disso. Não se deve pensar nisso como alimento. Isso pode ser apenas como um sorvete. Você pode comê-lo algumas vezes, mas não dependa dele. A vida tem que ser mais realística, mais prosa. 
      E o casamento, ele mesmo nunca destrói nada. O casamento apenas coloca para fora tudo aquilo que está escondido em você – ele traz para fora. Se o amor está escondido atrás de você, dentro de você, o casamento o traz para fora. Se o amor era apenas um fingimento, era apenas uma isca, então, mais cedo ou mais tarde, ele irá desaparecer. E então a sua realidade, a sua personalidade feia irá emergir. O casamento é apenas uma oportunidade, assim o que quer que você tenha para colocar para fora, var ser externado.
      Eu não estou dizendo que o amor é destruído pelo casamento. O amor é destruído pelas pessoas que não sabem como amar. O amor é destruído porque em primeiro lugar ali não havia amor. Você tem vivido num sonho. A realidade destrói aquele sonho. Se não for por isso, o amor é algo eterno, é parte da eternidade. Se você cresce, se você conhece a arte, e se você aceita as realidades do amor-vida, então ele continuará crescendo todos os dias. O casamento se torna uma oportunidade extraordinária para crescer no amor. 
      Nada consegue destruir o amor. Se ele existe ali, ele continua crescendo. Mas o meu sentimento é que, em primeiro lugar, ele não existe ali. Você compreendeu mal a si mesmo, alguma outra coisa estava ali. Talvez o sexo estivesse ali, a atração sexual estivesse ali. Então isso será destruído, porque uma vez que você tenha amado uma mulher, então a atração sexual desaparece – porque a atração sexual é apenas com o desconhecido. Uma vez que você tenha experimentado o corpo da mulher ou do homem, daí a atração sexual desaparece. Se o seu amor era apenas atração sexual, então é provável que ele desapareça. 
      Assim, nunca confunda o amor com alguma outra coisa. Se o amor é realmente amor... O que eu quero dizer quando digo ‘realmente amor’? Eu quero dizer que apenas por estar na presença do outro você de repente se sente feliz, só por estar junto você entra em êxtase, apenas a presença do outro preenche alguma coisa profunda em seu coração... algo começa a cantar em seu coração, você entra em harmonia. Apenas a exata presença do outro ajuda você a estar junto; você se torna mais individual, mais centrado, mais enraizado. Então isso é amor.
      O amor não é uma paixão, amor não é uma emoção. O amor é uma compreensão profunda de que alguém, de alguma maneira completa você. Alguém torna você um círculo completo. A presença do outro aumenta a sua presença. O amor lhe dá liberdade para ser você mesmo; ele não é possessivo.
      Assim, observe. Nunca pense em sexo como amor, senão você irá se iludir. Esteja alerta e quando você começar a sentir com alguém que a simples presença, a pura presença – nada mais, nada mais é preciso, não peça por nada mais – simplesmente a presença, simplesmente que outro esteja ali, é o bastante para fazer você feliz... alguma coisa começa a florescer dentro de você, mil e uma flores de lótus... então você está amando, então você consegue passar por todas as dificuldades que a realidade cria. Muitas angústias, muitas ansiedades – você será capaz de passar por todas elas, e o seu amor estará florescendo mais e mais, porque todas essas situações se tornarão desafios. E o seu amor superando esses desafios, se tornará mais e mais forte.
      Amor é eternidade. Se ele estiver aí, então ele seguirá crescendo e crescendo. O amor conhece o começo, mas não conhece nenhum fim. 

Osho


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