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segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Dê a volta por cima das rotinas da mente...

Por: Osho
Sentindo-se triste? Dance ou vá tomar uma ducha e veja a tristeza desaparecer de seu corpo. Sinta como a água que bate em você leva junto a tristeza, da mesma forma que leva embora o suor e a poeira de seu corpo.
Coloque sua mente em uma situação tal que ela não seja capaz de funcionar de maneira habitual.

 Qualquer coisa serve. Afinal, todas as técnicas que foram desenvolvidas ao longo dos séculos não passam de tentativas para distrair a mente e demovê-la dos velhos padrões.
Por exemplo, se você estiver se sentindo irritado, inspire e expire profundamente durante apenas dois minutos e veja o que acontece com a sua raiva.

Ao respirar profundamente, você terá confundido sua mente, pois ela não é capaz de correlacionar as duas coisas. "Desde quando", a mente começa a se perguntar, "alguém respira profundamente quando está com raiva? O que está acontecendo?"

A dica é nunca se repetir. Caso contrário, se toda vez que se sentir triste você for para o chuveiro, a mente transformará isso num hábito. Após a terceira ou quarta vez, ela aprenderá: "Isso é algo permitido. Você está triste, então é por isso que está tomando uma ducha." Nesse caso, a ducha irá apenas transformar-se em parte de sua tristeza. Seja inovador, seja criativo. Continue confundindo a mente.

eu companheiro diz algo e você se sente irritado. Em vez de bater nele ou jogar alguma coisa em sua direção, mude o padrão do pensamento: dê-lhe um abraço e um beijo. Confunda-o também! De repente, você perceberá que a mente é um mecanismo e que ela se sente perdida com o que é novo.

Abra a janela e deixe novos ventos entrarem.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Os 10 mandamentos de Osho


Você pergunta pelos meus dez mandamentos. Isso é muito difícil, porque eu sou contra qualquer tipo de mandamento. Todavia, só pela brincadeira, eu estabeleço o que se segue:
1 - Não obedeça a ordens, exceto àquelas que venham de dentro.
2 - O único Deus é a própria vida.
3 - A verdade está dentro, não a procure em nenhum outro lugar.
4 - O amor é a oração.
5 - O vazio é a porta para a verdade, é o meio, o fim e a realização.
6 - A vida é aqui e agora.
7 - Viva completamente acordado.
8 - Não nade, flutue.
9 - Morra a cada momento para que você possa se renovar a cada momento.
10 - Pare de buscar. O que é, é: pare e veja.
(em A Cup of Tea)
Osho

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Comprometimento é maturidade

"As pessoas vão de um guru para outro, de um mestre para outro, de um templo para outro; não porque sejam grandes buscadores, mas porque são incapazes de decidir. Assim elas ficam indo de um para outro. Essa é a maneira delas evitarem se comprometer.

O mesmo acontece com outros relacionamentos humanos: um homem vai de 
uma mulher para outra, vai mudando. As pessoas acham que ele é um grande amante; ele não é um amante de jeito nenhum. Ele está evitando, ele está tentando evitar algum envolvimento mais profundo, porque com envolvimento mais profundo os problemas precisam ser enfrentados, e precisa passar por muito sofrimento. 

Assim a pessoa simplesmente joga seguro; a pessoa toma a decisão de nunca se envolver profundamente com alguém. Se você for muito fundo, você pode não ser capaz de voltar facilmente. E se você for muito fundo com alguém, a outra pessoa irá fundo com você também; é sempre proporcional. Se eu for muito fundo com você, a única maneira é permitir que você também vá fundo em mim. É um dar e receber, é um compartilhar. 

terça-feira, 16 de junho de 2015

Torne-se um – Por Osho

Primeiro fique sozinho.
Primeiro comece a se divertir sozinho.
Primeiro amar a si mesmo.

Primeiro ser tão autenticamente feliz, que se ninguém vem, não importa; você está cheio, transbordando.

Se ninguém bate à sua porta, está tudo bem – Você não está em falta.
Você não está esperando por alguém para vir e bater à porta.
Você está em casa.

Se alguém vier, bom, belo.
Se ninguém vier, também é bom e belo

Em seguida, você pode passar para um relacionamento.

Agora você se move como um mestre, não como um mendigo.
Agora você se move como um imperador, não como um mendigo.

E a pessoa que viveu em sua solidão será sempre atraído para outra pessoa que também está vivendo sua solidão lindamente, porque o mesmo atrai o mesmo.

Quando dois mestres se encontram – mestres do seu ser, de sua solidão – felicidade não é apenas acrescentada: é multiplicada.

Torna-se uma tremendo fenômeno de celebração.
E eles não exploram um ao outro, eles compartilham.

Eles não utilizam o outro.

Em vez disso, pelo contrário, ambos tornam-se UM e desfrutam da existência que os rodeia.



sábado, 28 de março de 2015

Sofrimento

Osho

Não há sofrimento no crescimento em si. Ele vem de sua resistência ao crescimento. Você cria esse sofrimento porque está resistindo, não permite que o crescimento se dê naturalmente, está com medo de prosseguir, então se entrega apenas pela metade. É daí que surge o sofrimento, pois você fica dividido. Uma parte de você coopera e outra parte é contra o processo, opõe uma resistência. Esse conflito interno cria o sofrimento. Então, deixe de lado essa ideia que muitas pessoas têm, de que é necessário sofrer para crescer. Isso não tem o menor sentido. Coopere totalmente, e não haverá sofrimento algum. Deixe-se levar e, em vez de sofrer, você terá prazer. Todos os momentos serão momentos de êxtase e bênçãos.

sábado, 24 de janeiro de 2015

Respeitem vossos corpos, como vocês respeitam vossa alma.

Por : Osho 
Vossos corpos são tão sagrados quanto vossas almas. Na existência tudo é sagrado, pois tudo vibra em uníssono com o batimento do coração do divino. 
Vocês se movem momento a momento de um nível de consciência a outro. É possível que o coração esteja profundamente dormindo, mas ele é igualmente consciente. Quando vocês estão dormindo, vocês sabem que um mosquito vem e os morde, vocês continuam dormindo, mas sua mão sente. O corpo tem sua própria consciência.

Os cientistas dizem que o corpo é composto de milhões de células vivas; cada célula tem sua própria vida. Vocês perderam a capacidade de maravilhar-se com tudo isso, do contrário, vocês começariam a se maravilhar dos seus próprios corpos, da divina capacidade de transformar pão em sangue. Nós não dispomos ainda de uma usina capaz de realizar esta façanha, transformar pão em sangue. Vossos corpos sabem o que é necessário e o que não é; ele rejeita o que não precisa e guarda aquilo que é necessário.

Vossos corpos abastecem continuamente certas partes do seu organismo, independentemente de suas necessidades. Vocês comem o mesmo alimento para suprir todas as necessidades, dos seus ossos, seu sangue, sua pele, seus olhos, seu cérebro são alimentados com este alimento. O corpo sabe perfeitamente bem o que é necessário ou o que não é necessário. O sangue circula continuamente, ele fornece certos elementos químicos à diversos órgãos.
E não é tudo, o corpo conhece as necessidades e também as prioridades. A primeira é seu cérebro. Se faltar oxigênio o corpo fornecerá primeiro oxigênio ao cérebro. As outras partes são mais resistentes, elas podem esperar um pouco, mas as células do cérebro não são resistentes. Se elas não receberem oxigênio por seis minutos, elas morrem. E uma vez mortas, elas não podem reviver novamente.

sábado, 9 de agosto de 2014

Conhecer a si mesmo

"Você tem de ser um investigador. E a sua única responsabilidade deve ser conhecer a si mesmo.
Ensinaram-lhe tantas responsabilidades menos essa! Disseram-lhe que você devia prestar conta aos seus pais, à sua mulher, ao seu marido, aos seus filhos, à nação, à igreja, à humanidade, à Deus. A lista é praticamente interminável. Mas a responsabilidade mais importante não está nessa lista.

Eu gostaria de queimar essa lista toda! Você não tem de prestar contas a nação nenhuma. Você só é responsável por uma coisa: o seu autoconhecimento. E o maior milagre é que, se você cumprir com essa responsabilidade, conseguirá cumprir com muitas outras sem fazer nenhum esforço.

No momento em que você encontra o seu próprio ser, uma revolução acontece na maneira como você vê as coisas. Toda a sua visão de vida passa por uma mudança radical. Você começa a se dar conta de novas responsabilidades - não como se fossem algo que tem de ser feito, mas algo que se faz por prazer.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Relaxe, entregue-se à existência

Estou tão cheio de alegria - e ainda assim cheio de medo.
Dê toda a sua energia à alegria, e o medo desaparecerá.


Ignore o medo e não lhe dê qualquer atenção porque quanto mais atenção der ao medo, mais tempo ele irá prolongar-se. Atire-se na direcção de onde a alegria está a surgir e o medo irá desaparecer assim como a escuridão desaparece quando você acende a luz.

Alegria é luz. E alegria é o começo de uma grande peregrinação que termina encontrando Deus. Então prossiga - sem medo nenhum porque a existência sempre protege aqueles que confiam nela. Relaxe, entregue-se à existência e permita que a alegria o domine. Deixe-a tornar-se nas suas asas para que você possa alcançar as estrelas.

Um coração jubiloso está muito próximo das estrelas.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Perdoar a si mesmo


O amor sabe perdoar. 

Não só tem de perdoar aos outros, a pessoa tem que perdoar a si mesmo também, e isso é a coisa mais difícil porque nós fomos ensinados a sentir-se culpado: estamos sobrecarregados pela culpa.

 Um homem sobrecarregado não pode crescer, quem se sente culpado se sente sempre doente; ele não permite que suas feridas  cure. 

Então eu te ensino a perdoar os outros, 
mas ainda perdoar a si mesmo. 
Fora de que o perdão,um grande amor por si mesmo vai surgir. "

-Osho

terça-feira, 1 de julho de 2014

Unidade Orgânica



"Eu estou num estado de deixar as coisas acontecerem totalmente por elas mesmas. 

Sim, coisas acontecem ao meu redor. Mas eu não posso ficar com o crédito por essas coisas, porque eu não fiz coisa alguma.

As pessoas vêm conhecer pela primeira vez os mistérios do amor e da vida. 

As pessoas entram em sua própria interioridade, em sua subjetividade, onde elas encontram a si mesmas. 

E este é o maior milagre no mundo: encontrar a si mesmo.

As pessoas se tornam silenciosas, serenas, calmas e quietas. As pessoas se tornam uma unidade orgânica. 

Uma profunda harmonia acontece a elas e toda a vida delas fica ressoando música e poesia. 

Eu tenho visto paralíticos ganhando força e entregando-se à dança. E quase todo mundo se torna paralítico devido à sociedade. E dançam até o ponto em que o dançarino desaparece e somente a dança continua. 

sábado, 7 de junho de 2014

Promessas são sempre para amanhã

"Nem o líder religioso, nem o político está interessado nas pessoas que eles fingem liderar. 
Eles estão interessados em ser líderes - e, claro, o líder não pode ficar sem o seu grupo, por isso é uma necessidade continuar prometendo coisas às pessoas.

 Os políticos prometem-lhes coisas deste mundo; líderes religiosos prometem-lhes coisas do outro mundo. Mas você vê alguma diferença no que eles estão fazendo? Ambos são prometedores, para que você continue os seguindo.
A promessa o mantém com a multidão - e promessas não custam nada. 

Você pode prometer qualquer coisa. Promessas são sempre para amanhã, e o amanhã nunca chega.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Medo de estar sozinho




"Sempre que você está sozinho, surge um medo profundo – porque de repente o falso começa a desaparecer, e o verdadeiro vai demorar um tempo. Faz anos que você o perdeu. Você terá de levar em conta que essa lacuna tem de ser transposta." 
OSHO

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Não tente forçar Deus sobre ninguém

Pergunta a Osho:

Osho, para seguir Jesus, é preciso uma profunda confiança, entrega e amor, mas atualmente um profundo ceticismo prevalece por todo o mundo. Qual é a saída?

Isso vem de Swami Yoga Chinmaya. Pense sobre você mesmo. Há um profundo ceticismo dentro de você? Esta é a pergunta a ser feita. “Um profundo ceticismo prevalece por todo o mundo.” Quem é você para ficar preocupado com todo o mundo? Este é o modo de escapar do verdadeiro problema. O ceticismo está profundamente dentro, o bichinho da dúvida existe no seu coração, mas você o projeta; você o vê na tela do mundo todo.

Humm? “O mundo é cético... qual é o jeito de sair disso?” Ora, você está transferindo o problema. Olhe para dentro de você mesmo. Se há dúvida, então descubra-a. Então, algo pode ser feito. O mundo não o ouvirá, e não há nenhuma necessidade, porque, se eles estão felizes no ceticismo deles, eles têm esse direito. Quem é você?

Nunca pense em termos missionários; estas são as pessoas mais perigosas. Elas estão sempre salvando o mundo e, se o mundo não quer ser salvo, ainda assim elas continuam tentando. Elas dizem: “Mesmo que você não queira, nós o salvaremos”. Mas por que o incômodo? Se alguém está feliz — comendo, bebendo, desfrutando a vida — e não está de modo algum interessado em Deus... e daí? Qual é o mérito de forçá-lo? Quem é você? Deixe-o chegar a sua própria compreensão. Um dia ele chegará. Mas as pessoas ficam muito preocupadas: como salvar os outros? Salve a si mesmo! Se você puder, salve-se - porque isso também é muito difícil, um trabalho quase impossível.

Este é um truque da mente: o problema está dentro - a mente o projeta do lado de fora. Então, você não fica preocupado com ele; então, você não fica preocupado com a sua própria angústia. Então, você se torna interessado no mundo todo e neste caminho você adia sua própria transformação.

Eu insisto sempre e novamente, que você deve se interessar por si mesmo. Eu não estou aqui para fazer missionários. Os missionários são as pessoas mais daninhas. Nunca seja um missionário; esse é um trabalho muito sujo. Não tente mudar ninguém. Basta você mudar a si mesmo.

E acontece... quando você muda, muitos vêm compartilhar da sua luz. Compartilhe - mas não tente salvar. Muitos serão salvos daquele modo. Se você tentar salvá-los, poderá afogá-los antes que eles mesmos se afoguem.

Não tente forçar Deus sobre ninguém. Se eles duvidam, está perfeitamente bem. Se Deus permite-lhes duvidar, deve haver alguma razão nisto. Eles precisam disso, esse é o treinamento deles: e todo mundo tem que passar por isso.

O mundo tem sido sempre cético. Quantas pessoas se juntaram ao redor de Buda? Não foi o mundo todo. Quantas pessoas se juntaram ao redor de Jesus? Não foi o mundo todo, só uma minoria muito pequena — as pessoas podem ser contadas nos dedos. O mundo todo jamais se preocupou com essas coisas?

E ninguém tem a autoridade para forçar algo sobre qualquer pessoa. Nem mesmo sobre seu próprio filho! Nem mesmo sobre sua própria esposa! Guarde para si mesmo o que quer que você sinta ser a meta para sua vida. Nunca force isso sobre ninguém mais. Isto é violência, pura violência.

Se você quer meditar, medite. Mas isto é um problema: se o marido quer meditar, tenta obrigar a esposa a meditar também; se a es posa não quer meditar, ela obriga o marido a não meditar também. Vocês não podem permitir às pessoas suas próprias almas? Não podem deixá-las ter seu próprio modo?

A isto eu chamo de atitude religiosa: permitir liberdade. Um homem religioso sempre permitirá liberdade a todo mundo. Mesmo que você queira ser ateu. Este é o seu modo, perfeitamente bom para você. Você se move através dele, porque cada um que chegou a Deus veio através do ateísmo. O deserto do ateísmo tem de ser cruzado: faz parte do crescimento.

O mundo sempre permanecerá cético, na dúvida. Somente alguns atingem a confiança. Apresse-se, para que você possa atingi-la.

Osho, em "Palavras de Fogo: Reflexões Sobre Jesus de Nazaré"



quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

O Deus de fora e o Deus de dentro

Querido Osho,
O que é iluminação? É uma revelação divina?

    "Ela não é uma revelação divina, ela é uma realização divina. E a diferença é grande. Revelação divina significa que alguma coisa objetiva, como Deus, lhe é revelada. Você vê algum Deus; mas você está separado dele e ele está separado de você.
    Eu não acredito num Deus que esteja separado de nós, que esteja separado da existência. Eu não acredito em um Deus que seja um criador; eu acredito num Deus que é criatividade.Dizendo isso em outras palavras, eu não acredito num Deus como uma pessoa, eu acredito em divindade como uma qualidade. 
    Assim, eu digo que ela não é uma revelação divina, mas uma realização divina. Você percebe que você é Deus, e ao perceber que é Deus, você percebe que tudo é Deus – que somente Deus existe e nada mais existe. Nas pedras, nas árvores, nos pássaros, nas pessoas – quer eu as conheça ou não – o mesmo princípio, a mesma qualidade está escondida no verdadeiro centro de todo ser.
    Iluminação é tornar-se tão cheio de luz que você consegue ver o seu próprio centro e perceber a sua divindade.
    Isso faz uma grande diferença – com Deus sendo separado, o homem é apenas um fantoche. Ele nunca pode ser livre, ele irá permanecer sempre um escravo. Como você pode se livrar do criador? Ele o criou. E por que ele o criou num determinado momento? Por que não antes?
    Existe eternidade no passado – e o cristianismo diz que Deus criou o mundo há quatro mil e quatro anos antes de Jesus Cristo. Deve ter sido no dia primeiro de janeiro – obviamente. Mas, então, o que ele estava fazendo antes? Estava apenas sentado e nada fazendo por toda a eternidade? E então, de repente, ele criou este mundo. Um caos - não uma grande idéia.

    Eu ia viajar e fui ao meu alfaiate. Disse-lhe, ‘Você tem que fazer o meu robe em sete dias. Nesse prazo, sem truque: sete dias significa sete dias.’
    Ele disse, ‘Como você quiser. Mas lembre-se de uma coisa, Deus criou o mundo em seis dias e dê uma olhada no mundo. Eu posso criar o seu robe em sete dias, mas depois não me pergunte, ‘o que você fez?’ Vai ser um caos!’ Ele estava certo.
    Em seis dias... E após os seis dias Deus estava cansado e descansou. E tem estado descansando desde então. Estranho cansaço! E parece ter sido um capricho, de repente, decidir criar o mundo. Mas você não pode depender de tal capricho de Deus. Amanhã ele pode decidir que já é o bastante e resolver destruí-lo. O que você pode fazer? Com um Deus que é um criador você está justo nas mãos de uma outra pessoa que pode fazer ou desfazer você. Então a sua liberdade e a sua individualidade não têm significado.


    Nietzsche está certo quando diz, ‘Deus está morto, e agora o homem está livre.’ Ele está colocando duas coisas juntas; este foi o insight dele: Deus está morto e agora o homem está livre. Com Deus vivo, o homem não pode ser livre.
    Eu não digo que Deus esteja morto – porque ele nunca viveu! Deus não é um objeto fora da existência. Ele não é um criador, ele é a realidade mais interna da existência. Ele é eterno; ele tem estado sempre aqui e agora; e ele sempre estará aqui e agora. A criação não terminou em seis dias, ela ainda está acontecendo. Ela é um processo que continua. Ela é uma evolução. 
    Mas Deus tem que ser colocado dentro dela, não do lado de fora. Com Deus do lado de fora, o mundo se torna morto e Deus se torna um ditador. Com Deus do lado de dentro, na existência, toda vida se torna mais viva e tudo vibra – e Deus não é mais um perigo.
    Assim, eu não direi que a iluminação é uma revelação divina, não. Todos aqueles que disseram ter tido uma revelação divina, simplesmente sonharam com isso, estiveram alucinando. Foi uma ilusão e nada mais.
    Iluminação é perceber como realidade que ‘eu não sou apenas um mortal. Eu não sou apenas material. Eu sou divino. No meu coração dos corações Deus está vivo, e o que está acontecendo em mim está acontecendo em todo mundo.’ A única diferença entre aquele que nós chamamos iluminado e os outros é que ele conhece; ele reconheceu o seu ser interior, e os outros estão dormindo profundamente. Mas não existe diferença qualitativa. Aqueles que estão dormindo, podem ser despertados amanhã.
    E nesta eternidade, o que importa se você despertar hoje ou amanhã? Não importa. Você pode despertar de manhã cedinho ou pode se despertar mais tarde – a eternidade está disponível. Você é livre para escolher quando despertar. Você é livre para escolher se quiser dormir um pouco mais. Então vire para o lado, puxe o cobertor e desfrute o sono um pouco mais... Porque é Deus que está desfrutando isso. Não se preocupe. Por que perturbar Deus se ele quer dormir um pouco mais? Mais cedo ou mais tarde você vai despertar. Por quanto tempo você consegue ficar dormindo?
    A iluminação é um despertar de um sono profundo, vindo do estado de inconsciência para a consciência. Isso não precisa de nenhum Deus de fora.
    O Deus de fora é muito perigoso. Suas implicações são feias, porque o Deus de fora significa adoração, exaltação dele, rezar e pedir a ele, ir ao mosteiro, ir à igreja, ir à sinagoga. O Deus de fora nunca permite que você entre dentro de si mesmo: os seus olhos estão focados do lado de fora – e não existe nenhum Deus de fora. Você está olhando para um céu vazio. 
    A verdadeira essência da vida está dentro de você. 
    Neste exato momento você pode se voltar para dentro de si mesmo, olhar para dentro de si. Nenhuma adoração é necessária, nenhuma reza é necessária. Tudo o que se precisa é uma jornada silenciosa em direção ao seu próprio ser. Eu chamo isso meditação – uma peregrinação silenciosa ao seu próprio seu. E no momento em que você encontrar o seu centro, você terá encontrado o centro de toda a existência. 
    Arquimedes, um dos grandes cientistas, costumava dizer, “Se eu conseguir encontrar o centro do mundo, eu poderei revolucionar tudo.’ Mas o pobre homem nunca encontrou; ele procurava na direção errada. Se por acaso em alguma vida eu encontrá-lo, eu lhe direi, ‘Arquimedes, você ainda está procurando o centro do lado de fora? O centro está dentro de você. E isso é verdadeiro: se você conseguir encontrar o centro dentro de si, você terá encontrado o centro de todo o mundo, e conseguirá revolucioná-lo.’”

Osho


sábado, 8 de fevereiro de 2014

A Liberdade dá asas


"O maior medo que existe neste mundo é o da opinião dos outros. E, no momento em que passa a não temer o grupo a que pertence, você deixa de ser uma ovelha, você vira um leão. Um grande rugido se avoluma no seu coração, o rugido da liberdade.

Buda de fato já o chamou de o rugido do leão. Quando o homem chega num estado de absoluto silêncio interior, ele ruge como um leão. Pela primeira vez, ele sabe que a liberdade provém do fato de não ter mais medo da opinião de ninguém. O que as pessoas dizem não importa. Se eles o consideram um santo ou um pecador é irrelevante; seu único juiz é Deus. 

E para Deus, uma pessoa nunca é ruim. 

Deus significa simplesmente todo o universo.

Não é uma questão de ter de encarar uma pessoa; você tem que encarar as árvores, os rios, as montanhas, as estrelas – o universo inteiro. E esse é o nosso universo, fazemos parte dele. Não é preciso ter medo dele, nem lhe esconder nada. O todo já sabe de tudo, o todo sabe mais sobre você do que você mesmo.

E a questão seguinte é até mais importante: Deus já julgou. Não se trata de algo que vai acontecer no futuro; isso já aconteceu: ele já julgou. Portanto, até o medo do julgamento perde o sentido. Não é uma questão de esperar o Dia do Juízo Final. Você não precisa temer. 

O dia do julgamento já aconteceu no primeiro dia; no momento em que criou você, ele já o julgou. Ele conhece você, você é criação dele. Se algo saiu errado com você, é responsabilidade dele, não sua. Se você se perder, ele 
é o responsável, não você. Como você poderia ser o responsável? – você não é criação sua. 

Se você pinta um quadro e algo sai errado, não pode dizer que o quadro é a causa do erro – o pintor é a causa.

Portanto, não há necessidade de temer o seu grupo ou algum Deus imaginário lhe perguntando, no final dos tempos, o que você fez ou deixou de fazer. Ele já o julgou – isso é realmente significativo – isso já aconteceu, portanto, você está livre. 

E, no momento em que a pessoa sabe que está totalmente livre para ser ela 
mesma, a vida começa a adquirir um certo dinamismo.

O medo cria grilhões, a liberdade dá asas."
Osho 


sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Onde Deus esta escondido


Pergunta a Osho:
Amado Osho, o que exatamente está me impedindo de ver o óbvio? Eu simplesmente não compreendo o que fazer ou o que não fazer. Quando é que eu serei capaz de ouvir o som do silêncio?
O que exatamente está obstruindo a minha visão de ver o óbvio? O simples desejo de vê-lo. O óbvio não pode ser desejado, o óbvio é!

Quando você deseja, você se afasta: você começa a buscar o óbvio. Nesse exato momento você o tomou distante, ele não é mais o óbvio, ele não mais está próximo; você o colocou bem distante. Como pode você buscar pelo óbvio? Se você compreende que é óbvio, como pode você buscá-lo? Ele está simplesmente aqui! Qual a necessidade de buscá-lo ou desejá-lo? 

O óbvio é o divino, o mundano é o sublime e o trivial é profundo. Você está encontrando Deus a cada momento, nas suas atividades simples do dia-a-dia, porque não existe mais ninguém. Você não pode encontrar ninguém mais, é sempre Deus de mil e uma formas. 

Deus é bem óbvio. Apenas Deus é! Mas você busca, você deseja... e você perde. Nesta sua mera busca você coloca Deus bem longe, muito distante. Isso é uma viagem do ego.

Tente compreender... o ego não está interessado no óbvio porque com o mesmo ele não pode existir. O ego não está de forma alguma interessado no que está próximo, ele está interessado no distante, lá longe. Pense bem: o homem alcançou a lua, mas ele ainda não alcançou o seu próprio coração. 

O distante... o homem inventou viagens espaciais, mas ele ainda tem que desenvolver as viagens até a alma. Ele alcançou o Everest, mas ele não se interessa em ir para dentro do seu próprio ser. 

Perde-se o que está próximo e busca-se o que está bem distante. Por quê? Porque o ego sente-se bem; se a jornada é difícil o ego sente-se bem, existe algo a ser provado. Se é difícil, existe algo a se provar. O ego se sente bem em ir até a lua, mas ir para dentro do seu próprio ser? Isso não seria muito pretensioso.

Existe uma velha história:

Deus criou o mundo. E então, ele costumava viver na terra. Você já pode imaginar... ele tinha tantos problemas, todos vinham reclamar, todos batiam à sua porta nas horas vagas. À noite pessoas vinham e diziam: “Isso está errado, hoje nós precisávamos de chuva e está tão quente”. E alguém vinha logo depois e dizia: “Não traga chuvas por enquanto — eu estou fazendo algo e a chuva estragaria tudo”.

E Deus estava a ponto de ficar louco... “O que fazer? Tantas pessoas, tantos desejos, e todos esperando e todos necessitando serem atendidos, e eram desejos tão contraditórios! O fazendeiro queria chuva e o ceramista não queria chuva alguma pois ele fazia vasos e a chuva podia destruí-los; ele necessitava de sol quente por alguns dias...” E assim em diante.

Então, Deus chamou os seus conselheiros e perguntou: “O que fazer? Eles irão me enlouquecer, e eu não posso satisfazer a todos. Ou eles irão me matar um dia destes! Eu gostaria de encontrar um lugar para me esconder”.

E os conselheiros sugeriram várias coisas. Um deles disse: isso não é problema, vá para o Everest. Ele é o pico mais elevado dos Himalaias, ninguém irá alcançá-lo”.

Deus disse: “Você nem imagina! Eles o alcançariam em poucos segundos”, para Deus isso seria apenas uns poucos segundos: “Edmund Hillary iria alcançá-lo com Tensing e então os problemas começariam. E uma vez que soubessem, então eles começariam a vir em helicópteros e ônibus, e tudo seria... Não, isso eu não vou fazer. Isso resolveria as coisas só por alguns minutos”. 

Lembrem-se de que o tempo para Deus tem uma dimensão diferente. Na Índia diz-se que para Deus milhões de anos é um dia, alguns segundos então...

Daí alguém mais sugeriu: “E por que não ir para a lua?”

E Deus respondeu: “Lá também não é longe o bastante; mais uns poucos segundos e alguém iria alcançá-la”.

E os conselheiros sugeriram estrelas distantes, mas Deus falou: “Isto não resolveria o problema. Seria apenas uma espécie de adiamento. Eu quero uma solução permanente”.

Então, um velho ajudante de Deus aproximou-se dele e sussurrou algo em seu ouvido. E Deus disse: “Você está certo. Vou fazer isso mesmo!”.

O velho ajudante havia dito: “Só existe um lugar onde o homem nunca irá alcançar — esconda-se nele mesmo”. E esse é o lugar onde Deus está escondido desde então: no interior do próprio homem. E esse seria o último lugar no qual o homem pensaria encontrá-lo.

Perde-se o óbvio porque o ego não se interessa por ele. O ego está interessado em coisas duras, difíceis, árduas, porque aí existe um desafio. Quando você ganha, você pode clamar por vitória. Se o óbvio está aí e você ganha, que tipo de vitória é essa? Você não terá muito de um vencedor. É por isso que o homem segue perdendo o óbvio e buscando o distante. E como pode você buscar o distante quando você não pode nem mesmo buscar o óbvio?

“O que exatamente está obstruindo a minha visão de ver o óbvio?” O mero desejo está tomando-o distante. Abandone o desejo e você verá o óbvio.

“Eu simplesmente não compreendo o que fazer ou o que não fazer.” Você não tem que fazer nada. Você tem apenas que ser um observador de tudo que está acontecendo ao seu redor. O fazer é de novo uma viagem do ego. Fazendo, o ego se sente bem — algo está aí para ser feito. O fazer é um alimento para o ego, ele fortifica o ego. Não faça nada e o ego cai por terra; ele morre, ele não é mais nutrido.

Então, simplesmente seja um não fazedor. Não faça nada que diga respeito a busca por Deus, e pela verdade. Em primeiro lugar isso não é uma busca, assim você não pode fazer nada a respeito. Simplesmente seja.

Deixe-me dizer-lhe isso de uma outra forma: se você está em um estado puro de ser, Deus vem até você. O homem nunca poderá encontrá-lo; Deus encontra o homem.

Simplesmente esteja em um espaço silencioso — não fazendo nada, não indo a lugar algum, não sonhando — e nesse espaço de silêncio repentinamente você encontrará Deus. Porque ele sempre esteve presente! Simplesmente você não estava em silêncio para que pudesse vê-lo e você não pôde ouvir a sua voz, pequenina e quieta.

“Quando serei eu capaz de ouvir o som do silêncio?” Quando? Você faz a pergunta errada. É agora ou nunca! Escute-o agora, porque ele está aqui, a sua música está tocando, a sua música está em toda a parte. Você simplesmente precisa estar em silêncio para que possa ouvi-la.

Porém, nunca diga “quando”; “quando” significa que você está colocando no futuro; “quando” significa que você começou a esperar e sonhar; “quando” significa “não agora”. E sempre é no agora, sempre é no momento presente. 

Para Deus existe apenas um tempo: o agora; e apenas um lugar: o aqui. “Lá”, “então” — abandone-os.


segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Sintonia com a Existência - Osho


"Pergunta: Você diz que Deus está dentro de mim, eu percebo que estou olhando para dentro de algum conceito que eu tenho do lado de fora.

Osho: Esse tipo de Deus você nunca vai encontrar dentro de você. Você vai ter que soltar todos os conceitos que foram dados a você do lado de fora - porque Deus não é uma pessoa. A imagem de Deus não existe, nenhuma estátua é 
possível. Deus é uma experiência! Se você tiver a ideia de um Deus que seus pais e sua sociedade têm dado a você, você vai entrar com essa ideia e essa ideia será o obstáculo - não vai permitir que você veja o que é.

E Deus é aquilo que é. Ele não precisa de conceitos para ser visto; conceitos cegam-no. Abandone todos os conceitos.

Se você realmente quer ir, vá como um agnóstico. Esta palavra é bonita. Você deve ter ouvido a palavra 'gnóstico'; 'gnóstico' significa aquele que sabe - gnose significa conhecimento. "Agnóstico" significa aquele que não conhece. Agnóstico significa aquele que só sabe uma coisa, que ele não conhece. Seja um agnóstico - que é o início da verdadeira religião.

Nem acredite, nem desacredite.(...) A menos que você solte todas as ideologias, todas as filosofias, todas as religiões, todos os sistemas de pensamento, e vá para dentro vazio, sem nada na mão, sem a menor ideia.

Como você pode ter uma ideia de Deus? Você não o conheceu. 
Basta ir ... com um grande desejo de conhecer, mas sem nenhuma ideia de conhecimento ... Com uma intensidade de saber, com um amor apaixonado para saber o que está lá, mas não transporte quaisquer idéias expostas a você por outros. Deixe-os de fora. Essa é a maior barreira para o candidato ao caminho da verdade.

Deus está lá, mas você não pode ver - porque seus olhos estão cegos pelos conceitos dados a você. Se você tem uma certa ideia de Deus, você não poderá vê-lo. Sua ideia se tornará uma barreira. Retire todas as idéias que você reuniu a partir de fora, só então você pode ir para dentro.

Na verdade, fique com este insight. Se você está procurando algo, você não será capaz de ver - porque a própria ideia de procurar algo significa que você tem uma ideia do que você está procurando. Procurar algo é um tipo de cegueira.
Ver só acontece quando você não está procurando por algo em particular, você está aí, aberto, disponível. Então, tudo o que é, é revelado.

Não olhe para Deus, se você quiser vê-lo. Basta esperar - deixar e esperar. Deus é um acontecimento! Se você está em silêncio, aberto, amoroso para com o seu próprio ser, consciente, ele vai acontecer. A qualquer momento, quando você estiver na sintonia certa com a existência, isso vai acontecer.

Deus está lá, você está lá: Apenas a sintonia certa. E isso é o que eu estou ensinando a você: sintonia certa. 
Abandonar todas as ideologias ajuda você a estar devidamente atento. 
E uma vez que você esteja em sintonia com a existência, isso é a felicidade. Você chegou em casa."

Osho em O Cipreste no Jardim


sábado, 30 de novembro de 2013

A única maneira de não ter medo é aceitar o medo

Perguntaram a Osho:

O medo e a culpa são a mesma coisa? Assim como a luz ilumina a escuridão, Jesus deve ter deixado as pessoas conscientes de sua culpa.

O medo e a culpa não são a mesma coisa. O medo aceito se transforma em liberdade; o medo negado, rejeitado, condenado, transforma-se em culpa. Se você aceitar o medo como parte da situação...

Ele é parte da situação. O homem é uma parte, uma parte muito pequena, minúscula e o todo é amplo: uma gota, uma gotícula, e o todo é o oceano inteiro. Um medo surge: “Posso me perder no todo; minha identidade pode se perder.” Esse é o medo da morte. Todo medo é o medo da morte. E o medo da morte é o medo da aniquilação.

É natural que o homem seja assustado, temeroso. Se você o aceitar, se disser que a vida é assim, se o aceitar totalmente, o temor pára imediatamente e o medo - a mesma energia que estava se transformando em medo - retrocede e se transforma em liberdade. Então você percebe que, mesmo que a gota desapareça no oceano, ela estará lá. Na verdade, ela se tornará o oceano inteiro. E então, a morte se transforma em nirvana, e você não tem medo de se perder. E entende a frase de Jesus: “Se salvar sua vida, irá perdê-la, e se perdê-la, irá salvá-la.”

A única maneira de superar a morte é aceitar a morte. E então, ela desaparecerá. A única maneira de não ter medo é aceitar o medo. Assim, a energia é liberada e transformada em liberdade. Mas se você o condena, se o reprime, se esconde o fato de estar com medo - se você usa uma armadura para se proteger e ser defensivo - então surge a culpa.

Qualquer coisa reprimida cria a culpa; qualquer coisa não permitida dá espaço para a culpa; tudo que vai contra a natureza cria culpa. E então, você se sente culpado por ter mentido para os outros e para si mesmo. Essa falta de autenticidade é a culpa.

Você pergunta: “O medo e a culpa são a mesma coisa?” Não. O medo pode ser a culpa, mas pode não ser. Depende do que você faz com o medo. Se faz alguma coisa errada com ele, ele se transforma em culpa. Se simplesmente o aceita e não faz nada a seu respeito - não há nada a se fazer! - então ele se transforma em liberdade, se transforma na ausência de medo.

“Assim como a luz ilumina a escuridão, Jesus deve ter deixado as pessoas conscientes de sua culpa.” Não, de maneira alguma. Jesus tentava ajudar as pessoas a não se sentirem culpadas. Esse era seu objetivo. Seu objetivo era dizer para as pessoas aceitarem a si mesmas e não se sentirem culpadas, não se sentirem condenadas. Não diga a si mesmo que você é feio, errado, um pecador. Não condene. Seja lá o que você for, você é. Aceite o fato, e a simples aceitação torna-se uma transformação.

Jesus nunca criou a culpa nas pessoas. Esse foi um de seus crimes. Ele tentava alegrar as pessoas culpadas - esse foi seu crime. Ele tentava dizer a elas: “Não seja culpado, não se sinta culpado. Mesmo que haja algo de errado, você não está errado. Talvez você tenha agido de maneira errada, mas seu ser não é errado por causa disso.” Algumas ações podem estar erradas, mas o ser está sempre certo.

Ele aceitava as pessoas; os pecadores ficavam à vontade com ele, sentiam-se bem com ele. Isso se transformou em um problema. Os rabinos, bispos, padres começaram a dizer: “Por quê? Por que você permite que os pecadores fiquem com você? Por que você come com eles, por que dorme com eles? Por que existem tantos párias seguindo você?”

Jesus dizia: “É assim que tem de ser. Eu vim para aqueles que estão doentes. Os doentes procuram o médico, aqueles que já estão saudáveis não precisam. Vá e pense sobre isso.” Jesus dizia: “Eu vim para os doentes, para os enfermos. Preciso apoiá-los e deixá-los fortes. Tenho de trazê-los à luz, preciso trazer vida a eles outra vez, para que a energia deles se torne dinâmica e fluente.”

Não, Jesus é uma luz que não mostra a escuridão. Na verdade, quando a luz está presente, a escuridão desaparece. A escuridão não é mostrada pela luz; ela desaparece diante da luz.

Essa é a diferença. Se um sacerdote está presente, ele mostrará a escuridão. Ele não é uma luz; não pode destruir a escuridão. Ele fará com que você se sinta culpado. Ele criará pecadores - ele condenará e vai deixá-lo morrendo de medo. Ele criará uma ganância e um desejo pelo céu e suas recompensas. No mais, ele pode criar mais medo e mais ganância em você. Isso é o que o céu e o inferno são: projeções de medo e ganância.

Mas quando um Jesus, um sábio, aparece, a escuridão é simplesmente destruída. Quando a luz está presente, a escuridão não é mostrada. A escuridão não existe, porque a escuridão é apenas a ausência de luz.

Se há uma escuridão na sala e eu dou a você uma lâmpada dizendo: “Vá. E leve a lâmpada com você, porque com ela será fácil ver a escuridão...” Se você entrar na escuridão, como conseguirá ver a escuridão? - parece lógico. Mas é absurdo! A escuridão só pode ser vista quando não existe luz. Se você levar a luz consigo, nunca será capaz de ver a escuridão, porque uma vez que a luz estiver presente, a escuridão não existirá mais.

Jesus simplesmente destrói a escuridão, ele destrói a culpa. Ele cria esperança, ele cria confiança. As pessoas que são condenadas há muito tempo perderam sua esperança. Aceitaram seu pecado, aceitaram sua vida feia, e sabem que nada pode ser feito agora. Elas só podem esperar o inferno. Elas aceitaram a idéia de que serão jogadas no inferno e que têm de sofrer.

Jesus vem e ajuda as pessoas a saírem de sua escuridão fechada. Ele diz: “Não existe inferno.” Ele diz: “Saia. Exceto por sua ignorância, não existe inferno; exceto por sua própria reclusão, não existe inferno. Saia dele, flua novamente. Descongele-se e derreta-se, e viva a vida outra vez. Venha para a luz do sol. Deus está disponível.”

É por isso que ele diz: “Volte, o reino de Deus está à disposição.” Ele não diz que, se você for um pecador, então a volta levará muito tempo, e se for um homem religioso e respeitável, a volta levará menos tempo, não.

Pense em tudo isso como se tivesse tido um longo sonho no qual você fosse um pecador. Outra pessoa no mesmo quarto está sonhando que ele é um santo. Você levará mais tempo para acordar do seu sono do que o homem que está sonhando ser um santo? O santo e o pecador estavam sonhando. Eles demorarão o mesmo tempo para acordar de seu sono.

Paradoxalmente, às vezes tomará mais tempo o santo, porque ele está tendo um sonho muito bonito. Ele não quer deixá-lo. O pecador já está em um pesadelo. Ele gostaria de deixá-lo; está chorando, gritando, para que, de alguma forma, consiga sair. Está fazendo muito esforço para sair. O sonho não é bonito, o sonho é feio. Ele está em um inferno. Mas o santo pode não querer ser interrompido. Ele gostaria de virar para o lado e dormir mais um pouco.

Lembre-se, quando você se sente feliz, voltar é difícil; quando se sente infeliz, voltar é fácil. Esse é o sentido do ditado: “Há males que vêm para o bem.” Quando alguém está feliz e tudo está indo bem, quem se preocupa em transformar a si mesmo?

Quando alguém está triste, com um pesar profundo, sentindo-se muito mal, chorando, então essa pessoa gostaria de sair dessa tristeza. O sofrimento também é bom, pois ele dá uma oportunidade de acordar, de sair de seu sono. Não há nada de errado se você puder usá-lo corretamente. Até mesmo venenos podem ser usados como remédios e podem tornar-se bons para a vida.

Se você se sente culpado, tente ver porque está se sentindo assim. Sim, o homem é impotente. Certo! O homem é ignorante - isso está certo, também. Em sua ignorância, ele tem feito muitas coisas que não são como deveriam ser - isso também está certo. Aceite essa impotência, essa ignorância, e reze. Deixe suas lágrimas rolarem, confesse, se arrependa, diga a Deus: “Eu fui impotente, eu fui ignorante, e não consegui fazer melhor. E ainda não posso fazer melhor, a menos que o Senhor me ajude. Como estou, vou voltar a errar. Como estou, novamente vou traí-lo. Não posso contar comigo mesmo. Ajude-me. Apenas sua graça pode me salvar.”

É por isso que o ensinamento de Jesus é: peça a graça de Deus, não acredite em si mesmo - porque foi exatamente essa crença que foi o seu erro.

Não, ele nunca criou a culpa em ninguém. Ele tentava livrar as pessoas da culpa.

Osho, em "Viva ao Máximo!"


quinta-feira, 28 de novembro de 2013

A morte é também um começo


A morte é o maior mistério da vida. A vida tem muitos mistérios, mas não existe nada que se compare à morte. A morte é o clímax, o crescendo. A pessoa tem medo dela porque ela ficará perdida, ela se dissolverá nela.

Ela tem medo da morte por causa do ego — o ego não pode sobreviver à morte. Ele ficará nesta margem quando você passar para a outra; ele não pode ir com você. E o ego é tudo o que você sabe sobre si mesmo, daí o medo, o grande medo: "Eu não existirei mais depois de morrer."

Mas existe uma grande atração também. O ego você perderá, mas não a sua realidade. Na verdade, a morte lhe revelará a sua verdadeira identidade; ela levará embora todas as máscaras e revelará a sua face original.

A morte tornará possível, pela primeira vez, que você encontre o seu âmago mais profundo, a sua subjetividade mais profunda assim como ela é, sem nenhuma camuflagem, sem nenhum fingimento, sem nenhuma personalidade falsa. Por isso é que todo mundo tem medo da morte e se sente atraído por ela.

Essa atração foi mal-interpretada por Sigmund Freud, que achou que havia um desejo de morte no ser humano — ele o chamou de Thanatos. Ele dizia, "O homem tem dois instintos básicos, fundamentais; um é Eros — um desejo profundo de viver, de viver para sempre, um desejo pela imortalidade — e o outro é Thanatos, o desejo de morrer, de acabar com tudo".

Ele não entendeu o espírito da coisa, pois ele não era um místico; ele só conhecia uma face da morte — que ela é o fim da vida —, ele só sabia uma coisa: que a morte é o fim. Ele não se deu conta de que a morte é também um começo.

Todo fim é somente um começo, porque nada acaba totalmente. Nada pode jamais acabar. Tudo continua, só a forma muda. A sua forma morrerá, mas você também tem algo sem forma em você. O seu corpo não existirá mais, mas você tem algo aí dentro, dentro do seu corpo, que não faz parte do seu corpo.

A sua parte terrena voltará à terra, é pó sobre pó, mas você tem algo do céu em você, algo do além, que empreenderá uma nova jornada, uma nova peregrinação. A morte causa medo se você pensar no ego, e ela agrada você, atrai você, se você pensar no seu verdadeiro eu.

Então a pessoa sente uma vaga atração pela morte; se você ficar totalmente consciente dela, ela pode se tornar uma compreensão transformadora, pode se tornar uma força de mutação.

Procure entender tanto o medo quanto a atração. E não pense que eles sejam opostos — eles não se sobrepõem, eles não são opostos um do outro; eles não interferem um no outro. O medo está voltado para uma direção: o ego; e a atração está voltada para uma dimensão totalmente diferente: o eu destituído de ego.


E a atração é muito mais importante do que o medo. O praticante de meditação tem de superar o medo. Ele tem de se apaixonar pela morte, tem de convidar a morte — o praticante de meditação não tem de esperar por ela, ele tem de evocá-la, pois a morte é uma amiga para ele.

E o praticante de meditação morre antes do corpo. E essa é uma das mais belas experiências da vida: o corpo continua vivendo, externamente você continua vivendo como sempre, mas interiormente o ego não existe mais, o ego morreu.

Agora você está vivo e morto ao mesmo tempo. Você se tornou um ponto de encontro entre a vida e a morte; você contém agora os opostos polares e é grande a riqueza quando os dois opostos polares estão presentes.

E esses são grandes opostos polares, a vida e a morte. Se abarca ambos, você será capaz de abarcar Deus, pois Deus é ambos. Uma face de Deus é a vida, a outra face é a morte.

Isso é belo — não torne isso um problema.

Medite a respeito, faça disso uma meditação e você será imensamente beneficiado.

Osho, em "O Livro do Viver e do Morrer: Celebre a Vida e Também a Morte"




Onde há felicidade, há o Sagrado.

Onde há felicidade, há o Sagrado. Sempre que você vir uma pessoa plena de felicidade, respeite-a, ela é sagrada. E sempre que encontr...

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