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domingo, 21 de dezembro de 2014

DEPRESSÃO: um assunto muito sério.

Por: Marla de Queiroz
Depressão não é tristeza, melancolia, desânimo, mal-estar. É tudo isso junto e uma profunda dor causada pela falta de perspectiva de que algo de bom vai acontecer e melhorar nossas vidas. Depressão é mais comum do que se imagina e tem tratamento. Não adianta dizer a um deprimido para reagir, sair da cama, sair das drogas, fazer algo para se sentir feliz. Estas pessoas precisam de ajuda profissional e, se possível, espiritual para controlar este processo de faltas: de hormônios que provocam prazer e tornam a vida produtiva e sociável, de uma sensação de amparo e proteção espiritual.
Eu tenho depressão desde criança. Ela é controlada porque busquei ajuda em todos os campos disponíveis e hoje convivo com ela de maneira amistosa: tenho uma vida produtiva, feliz, incomum, mas normal. Eu tenho ajuda espiritual, profissional e tenho a arte. Eu tenho amigos que me percebem porque me amam. Eu perdi amigos para a depressão. Eu perdi uma irmã também. Tenho perdido leitores. O índice de suicídio me assusta, mas me é altamente compreensível, pois, às vezes, nem a família sabe identificar ou lidar com esta doença.
A gente não fica deprimido porque terminou um namoro: a gente fica triste. A gente não fica deprimido porque perdeu um emprego: a gente fica preocupado ou desorientado. A gente fica deprimido por uma profunda sensação de inadequação ao mundo, uma sensação de que não participamos ou pertencemos a nada. Certos fatores são apenas desencadeadores de uma dor muito mais grave: a existencial.
Vejo pessoas que estão tristes dizerem-se deprimidas e vice-versa. É preciso identificar e dar o nome certo a cada coisa. O fato de confundirmos estes sentimentos causa certa banalização da depressão. Vejo pessoas precisarem de ajuda urgente e darem cabo à própria vida porque ninguém as olhou atentamente a tempo de lhes oferecer uma ajuda adequada. Depressão é um luto por si mesmo em vida.
Enfim, este texto é apenas um pedido para que estejam atentos aos amigos, familiares, ao Outro com mais amorosidade e interesse profundo. Às vezes, identificada a doença, um deprimido não vai segurar na sua mão e caminhar até um profissional com você, talvez seja preciso que por um momento você o carregue no colo até que ele possa caminhar sozinho novamente. A questão é: quanto lhe custa a vida de alguém que você tem apreço?
Desejo boas notícias.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Quem ama cuida...

Por : Marla de Queiroz
Cuidar bem de quem se ama não é apenas causar algo que beneficie o Outro ou um comportamento totalmente altruísta. Cuidar bem de quem se ama é a maneira mais bonita de desenvolver o nosso potencial amoroso e aprimorar nossos valores. Isto nos faz nobres e amoráveis.
 Quando estamos Conscientes de que o amor é nosso e o Outro é nosso foco, vemos na relação não uma obrigação de nutri-la, mas a vontade de. Sentimos a delicada sensação de que estamos tendo a oportunidade de enriquecer a nós mesmos extraindo de um sentimento o que há de mais genuíno nele. Isto nos humaniza, nos alegra, nos sensibiliza, nos conecta com uma dimensão maior do amor. Cuidar bem de quem se ama significa cuidar bem do que vem à tona de nós dentro de um
 relacionamento. É um investimento na nossa maneira de comunicação com a vida. Denota maturidade e sabedoria. Estar inteiro no amor é dispensar quaisquer joguetes que possam encardir a pureza que nos foi ofertada. Tudo nos é oferecido limpo e sagrado, cabe a nós aceitar com profunda gratidão ou macular com limitações que sinalizam que ainda não estamos prontos ou dispostos a transcender. Cuidar bem de quem se ama numa Era de medos e traumas e complicações desnecessárias é um dos atos mais revolucionários que eu conheço.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Arejar o coração para crescer...

Por:  Marla de Queiroz
 Passei muito tempo tentando “suprir meus vazios” até descobrir que o que apertava o meu peito era a quantidade de entulhos emocionais que eu carregava. Eu precisava era do vazio para me sentir internamente arejada e com bastante espaço para crescer. A angústia não é um vazio, é uma corrente que se arrasta. O vazio é uma possibilidade, uma lacuna a ser preenchida, um espaço para uma decoração nova.

 Precisamos de páginas em branco para que nasçam poemas, de recipientes disponíveis, de um coração espaçoso, de uma alma livre, de uma mente aberta. O vazio só existe para os desapegados, para os que suportam e celebram o silêncio que possibilita-nos ouvir os sussurros da intuição e não os gritos infantis dos desejos imediatos. 
O vazio é uma esperança maciça.

Ele não é apenas a falta que nos move e motiva, mas a lembrança mais genuína de que somos seres inacabados e que precisamos nos construir diariamente, incansável e eternamente. O vazio não é um abandono de si, é um reconhecimento do eu, um convite para o Outro, algo que deve ser preenchido temporariamente, dentro do mesmo movimento humano de acordar sempre um desconhecido.

 O vazio é uma curiosidade que ainda não foi desvendada. É ter braços livres para o abraço que acabará daqui a pouco, mas que ecoará constantemente na lembrança mais bonita. Porque no toque intenso, o afeto estava leve.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Eu escolhi o otimismo...

Por: Marla de Queiroz
Ocasionalmente eu reflito sobre o que leva uma pessoa a ser pessimista. Penso que talvez seja uma posição confortável, por mais aflita que me pareça. Esperar o pior porque “se acontecer o melhor será lucro”, é a justificativa de muitos.

Eu escolhi o otimismo e nunca fui desamparada por ele. Mas ser otimista dá trabalho pra caramba. Todo dia você atrai gente de luz, experiências divinas e uma rasteira. Todo dia um abraço amoroso e um tombo de gente que nem se esperava. O otimista nunca espera pelo pior e, quando ele vem, ele respira fundo, retoma o fiapinho de força que sobrou daquela frustração e entrega pro Universo. Só que ele não pode ser imediatista, não pode ter pressa, tem que trabalhar arduamente a ansiedade e entregar, confiar. Ser otimista é uma canseira infinita: deslocar o pensamento magoado para esperança de uma circunstância favorável que resgate a confiança no Mundo, na Vida, na Humanidade.
Enquanto isso, o pessimista assiste, confortavelmente, esta batalha alheia: e se sente superior porque já espera conformado que tudo dê errado “porque isto é ser realista”. (Para o pessimista, o otimista não passa de um ser ingênuo fadado ao sofrimento).
Quanto a mim, vivo uma verdadeira aeróbica mental, espiritual. Crio diariamente mantras de evolução e tentava, incansavelmente, colocar ação nas minhas palavras, ser coerente com o meu posicionamento otimista até que isto virou um hábito e foi introjetado. Mas, palavra de otimista: dá trabalho pra caramba ser uma pessoa melhor quando tanta gente tenta tirar proveito disso.
A sorte é que deu sorte ser assim. Até hoje pelo menos.

Onde há felicidade, há o Sagrado.

Onde há felicidade, há o Sagrado. Sempre que você vir uma pessoa plena de felicidade, respeite-a, ela é sagrada. E sempre que encontr...

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